Boa noite, Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
ARTIGO
Preciso de ajuda psicológica! e agora... psicólogo ou psiquiatra?
26/10/2018 - 16h44

E a cena se repete. O cenário: um consultório de psicologia. O paciente chega nervoso, desconfiado e, não raramente, em dúvidas sobre estar ou não consultando o profissional adequado: “Doutora, me disseram que eu preciso me tratar, ando triste, desmotivado, há meses não durmo direito, o meu rendimento no trabalho caiu, e agora, comecei a ter problemas no meu casamento. Sei que preciso de ajuda, mas sinceramente, não sei se preciso de um psicólogo ou psiquiatra. Para falar a verdade, faço a maior confusão entre os dois”.

E você? Também tem dúvidas? Se não tem certeza de qual a diferença entre estes dois profissionais, saiba que não está sozinho e tal questão ainda é motivo de grande confusão. Há semelhanças no trabalho de ambos, mas existem também muitas diferenças entre o trabalho de um e de outro.

A Psicologia e a Psiquiatria são áreas diferentes de conhecimento, embora muitas vezes confundidas. Ambas estudam o cérebro humano, emoções, sentimentos, pensamentos e comportamentos, porém, há distinções na abordagem desses dois campos de estudo.

E quais seriam, então, os principais diferenciais entre o trabalho de um psicólogo e de um psiquiatra? Psicólogos cursam ensino superior em “Formação de Psicólogos”. Ao longo dos 5 anos de formação, será preciso participar de estágios supervisionados (Psicologia Clínica, é um deles). Após o título de bacharel, pode-se optar por se especializar em um campo particular da psicologia, o que exige estudos adicionais com prática em clínica especializada.

O psicólogo é um profissional treinado nas suas habilidades clínicas para auxiliar as pessoas a aprender a lidar de forma mais eficaz com questões cotidianas e de saúde mental. Dentre os trabalhos oferecidos, pode realizar avaliações e psicoterapias (de diferentes abordagens, falarei mais, em um próximo artigo), ajudando a administrar depressões, quadros de ansiedade ou doenças crônicas. Também são treinados, e os únicos habilitados para administrar e interpretar testes e avaliações psicológicas (testes de Q.I; testes de Personalidade; inventários de depressão e ansiedade; escalas de avaliação para suicídio; testes vocacionais, etc).

“No Brasil, é vedado ao psicólogo a prescrição de medicamentos e esta é provavelmente a distinção mais conhecida entre as duas áreas”

No Brasil, é vedado ao psicólogo a prescrição de medicamentos e esta é provavelmente a distinção mais conhecida entre as duas áreas. Alguns estados dos EUA, por exemplo, permitem que os psicólogos prescrevam um número limitado de medicamentos psiquiátricos se eles tiverem um curso de psicofarmacologia, mas lembre-se, no Brasil isto não é permitido.

Para tornar-se psiquiatra é necessário cursar a faculdade de medicina. Só depois de concluir a graduação como médico, o aluno poderá cursar uma especialização ou residência em psiquiatria, podendo ainda se especializar num campo específico da área, como, por exemplo, a psiquiatria infantil.

O psiquiatra é o médico que faz o diagnóstico, tratamento e prevenção de distúrbios mentais, emocionais e comportamentais. São os profissionais qualificados para avaliar os aspectos mentais e físicos dos problemas psicológicos e, por serem médicos, podem indicar ou realizar uma série de exames laboratoriais, para complementar a sua avaliação.

Por toda a sua formação em medicina, é somente o psiquiatra o profissional habilitado a prescrever medicamentos. Embora existam diferenças entre os campos, nos dias atuais é cada vez mais comum psicólogos e psiquiatras trabalharem juntos no tratamento de pacientes. Um psicólogo não está apto a fazer prescrições médicas, então recomenda que o seu paciente seja avaliado por um colega psiquiatra, a fim de receber os medicamentos. Já os psiquiatras, frequentemente recomendam psicólogos a seus pacientes, para que recebam aconselhamento ou realizem psicoterapia.

E há um bom motivo para que ambos profissionais trabalhem juntos, já que o foco principal da psiquiatria são os distúrbios que envolvem um desequilíbrio químico, enquanto o do psicólogo está relacionado a pensamentos, sentimentos e comportamentos e a saúde mental do paciente em geral.

Portanto, para fazer a escolha certa, é necessário conhecer as diferenças mais importantes entre as duas áreas. Em caso de dúvidas ainda persistirem, procure bons profissionais, marque uma consulta, converse, pois como pacientes não temos a obrigação de saber tudo, e um profissional qualificado (seja ele, psiquiatra ou psicólogo) com certeza o ouvirá e encaminhará para o tratamento mais adequado, o que muitas vezes requer o acompanhamento de ambos  profissionais.

Iúna Monte Cruz é psicóloga clínica e especialista em terapia cognitivo-comportamental.

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