Bom dia, Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017
EGITO
Ataque armado contra cristãos deixa mortos no Egito
Ônibus com cristãos coptas ia para um mosteiro no sul do Cairo. 28 pessoas morreram e 24 ficaram feridas.
26/05/2017 - 15h43 - Fonte: G1

 

Um ataque armado contra dois ônibus e uma caminhonete que transportavam cristãos coptas deixou 28 mortos e 24 feridos no Cairo, no Egito, nesta sexta-feira (26), segundo o Ministério da Saúde.

O ataque ainda não foi reivindicado, mas coincide com a ofensiva iniciada há alguns meses pelo braço egípcio do grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra a minoria copta no Egito. A organização extremista deseja intensificar os ataques contra o grupo.

Os cristãos iam para ao mosteiro de Mosteiro de São Samuel, no sul da capital egípcia quando criminosos, que estavam a bordo de três picapes, abriram fogo contra os veículos, segundo o governador da província de Minya, Essam al-Bedaiwy. Um porta-voz do Ministério do Interior disse que os atiradores desconhecidos chegaram em três veículos de quatro rodas.

Forças de segurança iniciaram uma busca pelos agressores, montando dezenas de postos de verificação e patrulhas na estrada desértica.

A Reuters informou que há um grande número de crianças entre as vítimas, segundo um funcionário do Ministério da Saúde.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, convocou uma reunião de emergência com os serviços de segurança após o ataque.

Minoria cristã

A província de Minya abriga uma comunidade de tamanho considerável da minoria cristã, que representam cerca de 10 % da população de 92 milhões do Egito. Os coptas são uma das comunidades cristãs mais importante do Oriente Médio e uma das mais antigas.

Eles foram alvo de uma série de ataques letais em meses recentes. Em 9 de abril, um Domingo de Ramos, explosões em duas igrejas cristãs coptas em Tanta e Alexandria deixaram ao menos 44 mortos e mais de 100 feridos. Os ataques foram reivindicados pelo EI, que há alguns meses iniciou uma ofensiva contra a minoria copta no Egito.

Segundo a Reuters, 70 pessoas morreram em ataques contra comunidades coptas desde dezembro.

A comunidade cristã do Egito recebeu no mês passado o apoio do papa Francisco. Durante uma visita de dois dias, o pontífice defendeu a tolerância e o diálogo entre muçulmanos e cristãos.

A Igreja copta apelou, por sua vez, "por mais medidas para prevenir esses incidentes que prejudicam a imagem do Egito".

Repercussão

Líderes muçulmanos repudiaram os assassinatos. A instituição de referência do Islã sunita Al-Azhar, com sede no Cairo, condenou o ataque que acontece na véspera do início do Ramadã, o mês do jejum muçulmano. O grande imã Ahmed Al-Tayeb chamou o ato de "inaceitável" e afirmou que visava desestabilizar o Egito, segundo a France Presse.

"Conclamo todos os egípcios a se unirem diante deste terrorismo brutal", disse Ahmed al-Tayeb da Alemanha, onde está em visita. O Grande Mufti do Egito, Shawki Allam, rejeitou os perpetradores, classificando-os como traidores.

O grupo islamita Irmandande Muçulmana condenou o "terrível" ataque e disse que, como em outras ocasiões, o "derratamento do sangue egípcio é proibido" e que os ataques são um "crime". Além disso, disse que o atentado deixou "dezenas de vítimas cristãs inocentes".

"Os ataques criminais contra os cristãos e os muçulmanos conduzem o país a uma situação perigosa. As autoridades golpistas são responsáveis por esse crime e todos os outros", disse o grupo em sua página no Facebook.

Membros da Irmandade Muçulmana foram perseguidos, julgados e presos no Egito desde o golpe de estado de 2013 contra o presidente Mohamed Morsi. Desde então, os ataques contra as forças de segurança e as autoridades que derrubaram o líder do grupo se multiplicaram.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apresentou suas condolências ao povo egípcio após este "terrível atentado". "O terrorismo será mais rapidamente derrotado se todos os países se unirem contra ele", afirmou.

O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou que o ataque "é uma nova prova da barbárie e da crueldade do terrorismo". "Ninguém deve temer por sua vida praticando sua fé", reafirmou o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, no Twitter.

O governo brasileiro emitiu uma nota dizendo que tomou conhecimento do ataque "com grande consternação". O país expressa "suas condolências às famílias das vítimas e seus votos de plena recuperação aos feridos e sua solidariedade com o povo e o governo do Egito". "O Brasil reitera veementemente seu repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo, independente de sua motivação", finaliza a nota.

 

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