Boa noite, Sábado, 26 de Maio de 2018
CASO RODRIGO CLARO
'Covardes sempre fogem', diz mãe de Rodrigo Claro sobre ausência de Ledur
Os representantes do MPE ofereceram uma proposta aos 5 réus do processo, com execeção de Izadora Ledur.
26/01/2018 - 15h52 - Fonte: Gazeta digital

No primeiro dia de audiência, que apura a morte do aluno do Corpo de Bombeiros Rodrigo Claro, 21, que ocorre na tarde sexta-feira (26), a tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur, principal ré do processo, não compareceu ao Fórum de Cuiabá. A mãe do soldado, Jane Claro, diz que já esperava por isso. “Os covardes sempre fogem”, afirmou à imprensa.

O processo tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, sob a responsabilidade do juiz Marcos Faleiros da Silva, mas há pedido do Ministério Público Estadual para que os autos sejam remetidos à 11ª Vara Criminal da Capital, que atua especificamente com processos contra militares.

A falta de Izadora Ledur na audiência foi confirmada pelo advogado de defesa, Huendel Rolim, que não quis se manifestar sobre o caso com a imprensa, assim como a promotora de justiça Januária Dorileo e a delegada Juliana Palhares, que investigou a morte.

Dona Jane coloca a expectativa do julgamento na Justiça Comum, isso porque acredita que caso condenada, a tenente poderia ter uma pena mais branda na Justiça Militar.

Representantes da Associação de Vítimas de Violência de Mato Grosso também compareceram à audiência de instrução para acompanhar e prestar solidariedade à família de Rodrigo Claro.Bombeiros colegas do curso de formação estão no Fórum para dar apoio à família de Rodrigo Claro. Houve momento de muita emoção ao abraçarem dona Jane, que foi às lágrimas.

Para a mãe do soldado, a possível condenação da tenente significa a “preservação de outras vidas”. “Servirá para que outras famílias não passem pelo o que a gente passou”, disse à imprensa.

Além de Ledur, todos os demais 5 réus são militares, o que justificaria o pedido de remessa. São eles: o tenente-coronel Marcelo Augusto Revéles Carvalho, o tenente Thales Emmanuel da Silva Pereira, os sargentos Diones Nunes Sirqueira e Eneas de Oliveira Xavier e o cabo Francisco Alves de Barros.

O juiz Marcos Faleiros dá início à audiência dando palavra ao assistente da acusação, para falar sobre o pedido de remessa dos autos para a competência da Vara Militar e este afirma que seu parecer é que a ação continue na 7ª Vara Criminal por considerar que a lei que trata sobre os crimes militares é inconstitucional.

O advogado Huendel Rolim, que faz a defesa de Izadora Ledur, afirma que não tem condições de afirmar agora qual é o posicionamento em relação à qual a jurisdição é competente para julgar o caso, apontando uma série de jurisdições superiores que não deixam o assunto pacificado. Ele pediu que seja determinado um prazo para que possa dar sua opinião, o que é concedido pelo magistrado.

As demais bancas de defesas dos outros réus afirmam que são favoráveis à permanência da ação penal na 7ª Vara Criminal.

O juiz Faleiros afirma que dará continuidade à audiência normalmente, até que o adgovado Huendel rolim emita uma opinião sobre a competência do caso. Segundo ele, caso os autos sejam remetidos para a Vara Militar, todos os atos consolidados na 7ª Vara Criminal serão anulados.

Ele destaca ainda que caso o processo vá para a esfera, não haverá mais o benefício da prisão semiaberta e os réus terão que responder ao processo presos, pois esta é a única possibilidade nesse tipo de justiça.

Os representantes do MPEofereceram uma proposta aos 5 réus do processo, com execeção de Izadora Ledur. A proposta consiste na suspensão do processo em relação a eles por 3 anos, período em que os réus serão fiscalizados pela Justiça, ficarão proibidos de sair de Cuiabá por período superior a 30 dias sem autorização judicial, terão que comparecer mensalmente em Juízo para informar e justificar atividades.

MPE também quer que réus comprovem o cumprimento de 50 horas/aula de curso de Direitos Humanos. Eles também ficam proibidos de participar de bancas de exames e treinamentos do Corpo de Bombeiros e não podem cometer novos delitos, senão o processo volta a tramitar novamente e normalmente.

Caso haja aceitação das propostas, a promotora Januária Dorileo afirma que em troca, MPE não vai produzir provas contra os acusados e o processo será arquivado após os 3 anos, caso as exigências sejam cumpridas.

Os acusados se reúnem em apartado com seus respectivos advogados para decidir sobre a proposta. Ao retornarm, eles aceitam a proposta ofertada pelo Ministério Público.

Conforme os promotores, o benefício oferecido se dá porque a pena pelo crime de tortura por omissão, pelo qual os militares respondem varia entre 1 a 4 anos e a lei prevê essa suspensão condicionada da ação pena.

Diante disso, o magistado desmembra o processa em relação a Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Eneas de Oliveira Xavier e Francisco Alves de Barros.

A audiência continua apenas contra Izadora Ledur e os demais réus, não mais réus neste processo, são dispensados e vão embora.

Atualizada às 15h35 - Neurologista é a primeira testemunha a ser ouvida

O neurologista, Rogers Tomas Kleber Ribeiro, que atendeu Rodrigo Claro, após entrar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é a 1ª testemunha a ser ouvida pelo magistrado. Ele era o plantonista no dia da morte do soldado e recorda que atendeu o rapaz por volta de 20h e 20h30, além disso, ele explicou também que faz retaguarda no setor de neurocirurgia e avalia o paciente. A vítima já estava na UTI e Rogers foi informado que o paciente estava com hematoma dentro do crânio, pois já havia passado por uma tomografia. .

“Foi feita avaliação dele, apesar de que com sedação você perde muito os parâmetros clínicos. E foi tomada a avaliação e levantadas às hipóteses do que poderia ter acontecido”, disse Rogers que soube sobre a participação de Rodrigo em um treinamento e depois disso passou mal. “Quando você vê um paciente jovem com aquele tipo de sangramento, ou é aneurisma ou é má formação venosa. Tinha muito sangue dentro do ventrículo”, detalhou.

Segundo o neurologista, foi solicitado uma angiografia para saber o motivo do sangramento, feito no dia seguinte. Mas não revelou “nada”. “Não tinha má formação na artéria venosa, então, o que pode ter causado nós pensamos pela idade, dada a exigência do físico”, relatou ainda que a reação de Rodrigo foi estável após cateter de fibra ótica para medir pressão do crânio.

Depois do procedimento, Rogers diz que o soldado se manteve estável o tempo todo do “ponto de vista neurológico”. A causa do sangramento era um vaso que rompeu, no entanto, o médico disse que não sabe o porquê do rompimento.

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