Boa noite, Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2018
CASO RODRIGO CLARO
'Covardes sempre fogem', diz mãe de Rodrigo Claro sobre ausência de Ledur
Os representantes do MPE ofereceram uma proposta aos 5 réus do processo, com execeção de Izadora Ledur.
26/01/2018 - 15h52 - Fonte: Gazeta digital

No primeiro dia de audiência, que apura a morte do aluno do Corpo de Bombeiros Rodrigo Claro, 21, que ocorre na tarde sexta-feira (26), a tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur, principal ré do processo, não compareceu ao Fórum de Cuiabá. A mãe do soldado, Jane Claro, diz que já esperava por isso. “Os covardes sempre fogem”, afirmou à imprensa.

O processo tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, sob a responsabilidade do juiz Marcos Faleiros da Silva, mas há pedido do Ministério Público Estadual para que os autos sejam remetidos à 11ª Vara Criminal da Capital, que atua especificamente com processos contra militares.

A falta de Izadora Ledur na audiência foi confirmada pelo advogado de defesa, Huendel Rolim, que não quis se manifestar sobre o caso com a imprensa, assim como a promotora de justiça Januária Dorileo e a delegada Juliana Palhares, que investigou a morte.

Dona Jane coloca a expectativa do julgamento na Justiça Comum, isso porque acredita que caso condenada, a tenente poderia ter uma pena mais branda na Justiça Militar.

Representantes da Associação de Vítimas de Violência de Mato Grosso também compareceram à audiência de instrução para acompanhar e prestar solidariedade à família de Rodrigo Claro.Bombeiros colegas do curso de formação estão no Fórum para dar apoio à família de Rodrigo Claro. Houve momento de muita emoção ao abraçarem dona Jane, que foi às lágrimas.

Para a mãe do soldado, a possível condenação da tenente significa a “preservação de outras vidas”. “Servirá para que outras famílias não passem pelo o que a gente passou”, disse à imprensa.

Além de Ledur, todos os demais 5 réus são militares, o que justificaria o pedido de remessa. São eles: o tenente-coronel Marcelo Augusto Revéles Carvalho, o tenente Thales Emmanuel da Silva Pereira, os sargentos Diones Nunes Sirqueira e Eneas de Oliveira Xavier e o cabo Francisco Alves de Barros.

O juiz Marcos Faleiros dá início à audiência dando palavra ao assistente da acusação, para falar sobre o pedido de remessa dos autos para a competência da Vara Militar e este afirma que seu parecer é que a ação continue na 7ª Vara Criminal por considerar que a lei que trata sobre os crimes militares é inconstitucional.

O advogado Huendel Rolim, que faz a defesa de Izadora Ledur, afirma que não tem condições de afirmar agora qual é o posicionamento em relação à qual a jurisdição é competente para julgar o caso, apontando uma série de jurisdições superiores que não deixam o assunto pacificado. Ele pediu que seja determinado um prazo para que possa dar sua opinião, o que é concedido pelo magistrado.

As demais bancas de defesas dos outros réus afirmam que são favoráveis à permanência da ação penal na 7ª Vara Criminal.

O juiz Faleiros afirma que dará continuidade à audiência normalmente, até que o adgovado Huendel rolim emita uma opinião sobre a competência do caso. Segundo ele, caso os autos sejam remetidos para a Vara Militar, todos os atos consolidados na 7ª Vara Criminal serão anulados.

Ele destaca ainda que caso o processo vá para a esfera, não haverá mais o benefício da prisão semiaberta e os réus terão que responder ao processo presos, pois esta é a única possibilidade nesse tipo de justiça.

Os representantes do MPEofereceram uma proposta aos 5 réus do processo, com execeção de Izadora Ledur. A proposta consiste na suspensão do processo em relação a eles por 3 anos, período em que os réus serão fiscalizados pela Justiça, ficarão proibidos de sair de Cuiabá por período superior a 30 dias sem autorização judicial, terão que comparecer mensalmente em Juízo para informar e justificar atividades.

MPE também quer que réus comprovem o cumprimento de 50 horas/aula de curso de Direitos Humanos. Eles também ficam proibidos de participar de bancas de exames e treinamentos do Corpo de Bombeiros e não podem cometer novos delitos, senão o processo volta a tramitar novamente e normalmente.

Caso haja aceitação das propostas, a promotora Januária Dorileo afirma que em troca, MPE não vai produzir provas contra os acusados e o processo será arquivado após os 3 anos, caso as exigências sejam cumpridas.

Os acusados se reúnem em apartado com seus respectivos advogados para decidir sobre a proposta. Ao retornarm, eles aceitam a proposta ofertada pelo Ministério Público.

Conforme os promotores, o benefício oferecido se dá porque a pena pelo crime de tortura por omissão, pelo qual os militares respondem varia entre 1 a 4 anos e a lei prevê essa suspensão condicionada da ação pena.

Diante disso, o magistado desmembra o processa em relação a Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Eneas de Oliveira Xavier e Francisco Alves de Barros.

A audiência continua apenas contra Izadora Ledur e os demais réus, não mais réus neste processo, são dispensados e vão embora.

Atualizada às 15h35 - Neurologista é a primeira testemunha a ser ouvida

O neurologista, Rogers Tomas Kleber Ribeiro, que atendeu Rodrigo Claro, após entrar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é a 1ª testemunha a ser ouvida pelo magistrado. Ele era o plantonista no dia da morte do soldado e recorda que atendeu o rapaz por volta de 20h e 20h30, além disso, ele explicou também que faz retaguarda no setor de neurocirurgia e avalia o paciente. A vítima já estava na UTI e Rogers foi informado que o paciente estava com hematoma dentro do crânio, pois já havia passado por uma tomografia. .

“Foi feita avaliação dele, apesar de que com sedação você perde muito os parâmetros clínicos. E foi tomada a avaliação e levantadas às hipóteses do que poderia ter acontecido”, disse Rogers que soube sobre a participação de Rodrigo em um treinamento e depois disso passou mal. “Quando você vê um paciente jovem com aquele tipo de sangramento, ou é aneurisma ou é má formação venosa. Tinha muito sangue dentro do ventrículo”, detalhou.

Segundo o neurologista, foi solicitado uma angiografia para saber o motivo do sangramento, feito no dia seguinte. Mas não revelou “nada”. “Não tinha má formação na artéria venosa, então, o que pode ter causado nós pensamos pela idade, dada a exigência do físico”, relatou ainda que a reação de Rodrigo foi estável após cateter de fibra ótica para medir pressão do crânio.

Depois do procedimento, Rogers diz que o soldado se manteve estável o tempo todo do “ponto de vista neurológico”. A causa do sangramento era um vaso que rompeu, no entanto, o médico disse que não sabe o porquê do rompimento.

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