Boa tarde, Domingo, 22 de Setembro de 2019
CARBOFURANO
Perícia confirma que pesticida altamente tóxico e proibido no Brasil matou menina
O carbofurano só é comercializado no mercado clandestino. O produto é um dos pesticidas carbamatos mais tóxicos.
09/09/2019 - 14h05 - Fonte: RD news

Exame pericial confirmou a presença de carbofurano no corpo de Mirella Poliana Chue de Oliveira, de 11 anos. Este é o produto que envenenou a menina. A madrasta dela, Jaira Gonçalves de Arruda, é acusada de matá-la, aos poucos, gota a gota. Laudo deste exame contribuiu para garantir a prisão da acusada, efetuada nesta segunda (9) pela Polícia Civil, no bairro Nossa Senhora Aparecida, em Cuiabá. O pai da menina também é investigado pelo crime.

De acordo com delegado Wagner Bassi, responsável pelo caso, o carbofurano só é comercializado no mercado clandestino. O produto é um dos pesticidas carbamatos mais tóxicos.

Ingerindo veneno sem saber, em dois meses, a menina sofreu nove internações até a morte em junho deste ano. Depois que ela morreu,  as investigações começaram, estimuladas por denúncia médica.

Durante as investigações, a madrasta dizia suspeitar dos médicos que atenderam a menina.

Busca e apreensão

Além de prender Jaira, nesta segunda a Polícia Civil também cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do casal. “Foram apreendidos produtos, embalagens, computadores e celulares. Tudo vai passar por perícia", explica o delegado.

A previsão é de que a acusada seja ouvida entre terça (10) e quarta (11). Nesta tarde passará por audiência de custódia. O Judiciário é que vai definir se ela responderá pelo crime presa ou solta.

Motivação

A motivação do crime foi o dinheiro da ação movida pelos avós maternos da criança, que ingressaram na Justiça reivindicando indenização. Em 2019, após 10 anos, o processo encerrou, com causa ganha à família. O valor de obtido, de R$ 800 mil, incluindo os descontos de honorários advocatícios, teria atraído a atenção da madrasta.

Parte do dinheiro ficaria depositada em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta. A Justiça autorizou que fosse usada uma pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso após a maioridade, aos 24 anos.

Dose final

A última vez que Mirella foi parar no hospital, já chegou morta. Por conta disso, o hospital não quis declarar o óbito, mas suspeitava de meningite.

Na época, a Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP) foi acionada e, diante de falta de evidências sobre morte violenta, pediu vários exames por precaução.

Em um desses exames periciais foi detectada a substância venenosa no sangue da menina. O caso segue sendo investigado pelos delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi.

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