Boa tarde, Domingo, 22 de Outubro de 2017
TEMER
Não renunciarei, diz Temer após delação da JBS
18/05/2017 - 15h32 - Fonte: UOL

""Não renunciarei. Repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus
atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo
brasileiro. Essa situação indubitável de dúvida não pode persistir por muito tempo",
disse o presidente Michel Temer (PMDB) em pronunciamento no Palácio do
Planalto nesta quinta-feira (18). Temer enfrenta sua mais grave crise no cargo,
acossado por denúncias de que teria assentido com a compra do silêncio do exdeputado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), feitas por delatores da JBS.
"Não comprei o silêncio de ninguém, sempre honrei meu nome e nunca autorizei
usar meu nome indevidamente", disse Temer.
Temer confirmou que se encontrou com Joesley Batista, da JBS, e que o
empresário contou a ele que "auxiliava um ex-parlamentar".

"Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento do fato
nessa conversa", afirmou. Segundo Temer, seu governo viveu nesta semana "seu melhor e seu pior momento", com a melhora de indicadores econômicos e de emprego, além do avanço de reformas no Congresso, em contraste com o que
chamou de "revelação de conversa gravada clandestinamente". Para
Temer, a notícia "trouxe de volta o fantasma de crise política".


"Nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito pelo país", disse.

Temer disse ainda que não tem medo
de "nenhuma delação" --as acusações
contra ele partiram de um delator. O
empresário teria gravado Temer dando o aval para o pagamento de propina
milionária pelo silêncio de Cunha.
Nesta quinta, o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou abertura de inquérito
contra o presidente. A decisão de abrir uma investigação contra Temer foi tomada
pelo ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.
O pedido foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A partir de agora, o
presidente passa a ser formalmente investigado.

Temer entrou com requerimento no STF pedindo acesso à íntegra das
gravações (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1885140-temer-entra-compedido-
no-stf-e-solicita-integra-dos-audios-de-joesley.shtml) feitas pelos delatores
da JBS. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o presidente só gostaria de se
pronunciar a respeito do assunto após conhecer o conteúdo da delação.
Entenda as acusações
De acordo com informações divulgadas pelo jornal "O Globo" nesta quarta-feira
(17), Joesley Batista, um dos donos da JBS, encontrou Temer no dia 7 de março no
Palácio do Planalto. O empresário teria registrado a conversa com um gravador
escondido. Batista disse ter contado a Temer que estava pagando ao ex-deputado
federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao lobista Lúcio Funaro para ficarem calados.
O presidente, segundo o empresário, responde: "Tem que manter isso, viu?".

Em nota publicada ontem, Temer confirmou o encontro, mas disse que "jamais
solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha" e negou
ter participado ou autorizado "qualquer movimento com o objetivo de evitar delação
ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".
No caso do Aécio, ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Batista. O empresário
entregou um áudio à Procuradoria-Geral da República em que o tucano pede a
quantia, sob o pretexto de pagar as despesas com sua defesa na Operação Lava
Jato.
Hoje, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin proibiu
Aécio de exercer as funções de senador
(https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/05/18/stf-afastaaecio-
neves-do-mandato-de-senador-procuradoria-pediu-prisao-detucano.
htm). A Procuradoria-Geral da República também pediu a prisão do tucano,
mas Fachin, responsável pela Lava Jato na Corte, negou o pedido. A irmã de Aécio,
Andrea Neves, foi presa.
José Eduardo Alckmin, um dos advogados do tucano, afirmou que o senador está
"inconformado e surpreso" com as acusações de que teria pedido R$ 2 milhões a
Batista. Ele confirmou o pedido, mas disse se tratar apenas um empréstimo pessoal
e que houve uma "descontextualização" da fala de Aécio na gravação.

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