Boa tarde, Segunda-Feira, 23 de Outubro de 2017
JBS
Friboi entrega à PGR anotações e cartões de senador e ex-candidato ao Governo de MT
Empresa delata que doações estavam disfarçadas de propina para políticos
23/05/2017 - 14h41 - Fonte: Assessoria

Os nomes do senador Wellington Fagundes (PR) e do ex-vereador e então candidato ao Governo do Estado, Lúdio Cabral (PT), aparecem em anotações que constam entre os documentos entregues ao Ministério Público Federal (MPF) pelo diretor do grupo J&F, que controla a JBS, o delator Ricardo Saud. Os dois são mencionados na lista de Saud, que revela 1.829 políticos brasileiros que receberam doações da JBS durante as eleições de 2014.

Wellington Fagundes (PR) teria sido o parlamentar que recebeu o maior volume de dinheiro da JBS entre os políticos do Estado. Ele teria recebido R$ 1,4 milhão em três parcelas, sendo todas recebidas por meio do diretório do PR.

Dos valores que recebeu do frigorífico, Fagundes teria entregue cerca de R$ 34 mil para Lúdio Cabral, então candidato ao governo do Estado. O petista também teria recebido R$ 475 mil da JBS para a campanha de 2014, por meio do diretório nacional do partido. Todos os pagamentos constam nas declarações feitas pelos políticos à Justiça Eleitoral. 

Entre as anotações entregues pelo delator ao MPF, é possível identificar o nome do então candidato ao governo em algumas delas. Em uma, ele é tratado como “Lúdio Cabral - candidato governo PT”, acompanhado do numeral 0,5, correspondente ao valor de R$ 500 mil doado pela empresa para a campanha dele. Em uma das anotações, ainda há dois números de telefones que possivelmente pertenceriam ao petista.

Em um dos papéis, o nome do mato-grossense figura junto com o das então candidatas ao Senado Federal, Ângela Portela (PST), de Roraima, e Fátima Bezerra (PT), de Rio Grande do Norte, ambas pertenciam ao Partido dos Trabalhadores. Conforme a anotação, Ângela receberia R$ 1 milhão da JBS e Fátima R$ 500 mil.

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), também aparece no mesmo papel em que Lúdio é mencionado. Faria teria recebido R$ 5 milhões para a campanha de 2014.

Em outro papel que foi anexado aos documentos entregues pelo delator, aparece o nome do senador Wellington Fagundes. Em um deles, há a indicação de que ele receberia R$ 250 mil, valor escrito duas vezes nas anotações.

Em outras anotações, é possível ver dois números telefônicos que possivelmente pertencem a Fagundes, acompanhados de um cartão pessoal do senador mato-grossense, com diversos números telefônicos e informações sobre o gabinete dele em Brasília. 

Tais papéis, além de outras diversas anotações entregues pelo delator, serão utilizados pelo MPF para auxiliar nas investigações referentes às fraudes apuradas na “Operação Lava Jato”, que investiga crimes que causaram prejuízo bilionário aos cofres públicos do Brasil.

PROPINAS DISFARÇADAS

Durante depoimento ao MPF, Ricardo Saud contou que a JBS pagava tanta gente, sem direcionar a partido A ou B, sem preocupações ideológicas. Ele disse que a política da empresa era fazer "reservatório de boa vontade", ou seja, doações mesmo sem contrapartida prévia. Saud relatou que os valores entregues aos políticos tinham o objetivo de que a empresa conseguisse benefícios futuros em todo o País.

O delator ainda detalhou que muitos pagamentos eram dissimulados. Segundo ele, dos mais de R$ 500 milhões doados a políticos pela empresa, apenas de R$ 10 a R$ 15 milhões não eram propinas. Saud explicou que os montantes eram repassados em contas no exterior, em espécie, e as quantias eram levadas em malas e bolsas.

De acordo com o delator, as propinas eram disfarçadas de doações oficiais ou por meio de dinheiro entregue legalmente por empresas ligadas aos políticos.

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