Boa tarde, Quarta-Feira, 23 de Setembro de 2020
MERCADO EDITORIAL
Bilenky pede demissão da Saraiva
CEO tinha sido contratado em janeiro. No seu lugar, assumiu interinamente Deric Degasperi Guilhen, diretor comercial da empresa.
07/04/2020 - 09h47 - Fonte: publishnews

Desde sexta-feira passada, o mercado acompanha com apreensão o desenrolar de mais um capítulo da recuperação judicial da Saraiva. Luis Mario Bilenky, CEO contratado pela varejista em janeiro, enviou e-mail a alguns dos seus credores pedindo uma revisão do plano de recuperação judicial aprovado – a duras penas – em agosto passado.

 

Na sequência do envio do e-mail, Bilenky pediu demissão.

No seu lugar, assumiu interinamente Deric Degasperi Guilhen, diretor comercial da empresa. Ao mesmo tempo, foi criado no Conselho de Administração da empresa um comitê extraordinário que irá acompanhar Deric nesse momento de transição.

No último relatório mensal de atividades (RMA), o administrador judicial da recuperanda falou da dificuldade da empresa em gerar caixa. “Em fevereiro de 2020 o caixa da recuperanda era de R$ 15,1 milhões contra uma posição em fevereiro de 2019 de R$ 77,7 milhões”, diz o administrador judicial.

Lembrando que é com a geração excedente de caixa que a Saraiva prometeu pagar boa parte do que deve a seus credores.

O relatório aponta ainda outra informação muito preocupante. O canal e-commerce – o único em funcionamento agora com as medidas de isolamento social – perdeu 56,1% do seu faturamento, na comparação com fevereiro de 2019. E pior, em relação a 2018, antes portanto do pedido de recuperação judicial, 2019 já tinha apresentado queda de 66,7%.

Ao saírem as orientações de isolamento social, a varejista procurou seus fornecedores para informar que se viu obrigada a tomar “medidas austeras e imediatas de suspensão de todos os pagamentos”. O informe foi recebido com resistência por editores e um grupo formado por mais de 100 editores publicam um documento dizendo que não aceitariam essa medida.

Venda de ativos

Em um outro relatório – o que trouxe os números do quarto trimestre de 2019 --, a Saraiva falou na venda de ativos que poderiam injetar R$ 20 milhões no seu caixa. A venda é referente a dois imóveis em Guarulhos, na Grande São Paulo, que estavam à venda há dois anos e eram, segundo informou à Justiça, utilizados pelo braço editorial, vendido em 2015.

Ao juiz, a recuperanda apresentou um instrumento particular de promessa de compra e venda dos bens firmados com a empresa Totality Imóveis, que já teria apresentado um sinal no valor de R$ 2 milhões e o restante será pago na assinatura da escritura. O magistrado deferiu o pedido e autorizou a venda dos imóveis.

Caso seja concretizada, a venda poderá trazer um alívio à Saraiva, mas, fazendo uma analogia com a atual situação mundial, o paciente permanece em estado grave, à procura de um respirador. Não será fácil.

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