Bom dia, Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017
LITERATURA
Entrega do 2ª Prêmio Mato Grosso de Literatura acontece na próxima quarta-feira
Cerimônia será no Salão Nobre Cloves Vettorato, no Palácio Paiaguás, a partir das 19h30 e é aberta ao público
18/10/2017 - 17h28 - Fonte: SEC-MT

A noite da próxima quarta-feira (25) será de festa para a literatura mato-grossense com a entrega do 2º Prêmio Mato Grosso de Literatura. A cerimônia, que conta com o lançamento das obras premiadas e noite de autógrafos, tem início às 19h30, no Salão Nobre Cloves Vettorato, no Palácio Paiaguás, e terá a presença do governador Pedro Taques e do secretário de Estado de Cultura, Leandro Carvalho, além dos autores premiados, comunidade literária, autoridades e comunidade. A solenidade é aberta ao público.

O Prêmio de Literatura integra as políticas públicas implementadas pela SEC-MT na área do livro, leitura e literatura - Foto por: Divulgação/SEC-MT

O Prêmio integra as políticas públicas implementadas pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT) na área da literatura, previstas no Plano Estadual de Cultura, que inclui o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de Mato Grosso (PELLLB-MT).

As principais metas do PELLLB-MT objetivam a democratização do acesso ao livro; fomento e valorização da leitura, literatura e bibliotecas; formação de mediadores para o incentivo à leitura; valorização institucional do livro, leitura, literatura e bibliotecas; desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia estadual; fomento à cadeia criativa e produtiva do livro; acesso aos bens culturais e desenvolvimento intelectual e promoção da cidadania no Estado.

Com um total de 89 inscrições, a segunda edição do certame se consolida como uma das principais vitrines para os escritores residentes em Mato Grosso. Foram selecionadas 10 obras literárias contempladas com R$ 30 mil cada, totalizando R$ 300 mil investimentos. 

Os trabalhos selecionados são inéditos e contemplam as seguintes categorias: duas obras em poesia, quatro obras em prosa, duas obras na categoria revelação e duas obras na categoria infantojuvenil, uma novidade na segunda edição do certame.

As obras literárias inscritas nesta segunda edição do prêmio foram submetidas a duas comissões, a de Habilitação e a de Avaliação Técnica, esta última composta por profissionais de reconhecido mérito e competência no meio literário. Cada projeto foi avaliado por três pareceristas de notório saber, sendo eles a  Profª Draª Vera Lúcia da Rocha Maquês, Agnaldo Rodrigues da Silva, membro da Academia Mato-grossense de Letras e o professor doutor Dante Gatto.

Esclarecimento

Agendada para acontecer no dia 21 de outubro, durante a Literamato, a cerimônia do Prêmio de Literatura foi remarcada para o dia 25 de outubro após o cancelamento da feira literária. Vale ressaltar que a Literamato não era um evento organizado pela SEC–MT. A Secretaria de Estado de Cultura foi convidada a realizar a cerimônia de premiação dentro da feira por se tratar de um evento literário de grande proporção que daria visibilidade maior aos autores e suas obras.

Assim como os escritores e a sociedade em geral, a SEC-MT foi surpreendida com o cancelamento da Literamato e, a partir deste momento, se mobilizou para cumprir com a realização da cerimônia o mais breve possível.

Apesar das tentativas de manter o lançamento no dia 21 de outubro, minimizando ao máximo os efeitos do cancelamento, isso não foi possível devido às inúmeras providências necessárias para a organização de um evento deste porte e importância para a literatura regional. Desta maneira, a solenidade foi remarcada para o dia 25.

Confira os autores e obras vencedoras do  2º Prêmio MT de Literatura

CATEGORIA POESIA

Gênero, número, Graal, de Luiz Renato Souza Pinto

A obra reúne 85 poemas que atravessam os anos de 1990, 2000 até a década atual e é dividido em cinco partes: sinto, corpo, neutro, azul e face. Cada uma dessas palavras é componente do Poema do Ato Final, que aparece nas páginas centrais. Esse poema foi publicado na revista Vôte nos anos 1990.

Luiz Renato Souza Pinto é autor de Cardápio Poético (1993), dos romances Matrinchã do Teles Pires (1998), Flor do Ingá (2014) e, em parceria com o pernambucano Carlos Barros, Duplo Sentido (2016), este último de crônicas.

Entraves, de Divanize Carbonieri

Entraves é composto de 30 poemas, todos escritos ao longo de 2016. Esse também é o título de um poema individual que concentra, de forma mais intensa, uma das principais temáticas exploradas durante todo o livro e que envolve as noções de empecilho, obstáculo, dificuldade. Além da temática, a própria concepção poética é marcada por essas ideias, constituindo uma espécie de “poesia em traves”. Os poemas são elaborados com uma linguagem simbólica hermética, sendo caracterizados por certo travamento na leitura e no que seria a produção de significados diretos. O leitor é convidado a oferecer as chaves que abrirão as travas do discurso poético, possibilitando uma multiplicidade de leituras. Os poemas possivelmente ainda podem ser entendidos como verdadeiros aforismos, invocando uma reflexão filosófica a respeito de diversos aspectos da vida, como sua finitude, sua relação com a morte e com a coexistência/oposição entre corpo e espírito.

Divanize Carbonieri é doutora em letras pela Universidade de São Paulo, atuando como professora de literaturas de língua inglesa na Universidade Federal de Mato Grosso. No campo acadêmico, é autora de A compensação da imobilidade em Nuruddin Farah (EDUFMT, 2013), além de diversos artigos em periódicos especializados em estudos literários. É escritora e poeta, tendo sido uma das selecionadas na categoria poesia do 3 o Concurso Lamparina Pública, organizado pela editora Lamparina Luminosa, com o projeto Furagem (no prelo). Entraves é seu primeiro livro publicado de poemas.

CATEGORIA PROSA

Os mesmos, de Teodorico Campos de Almeida Filho

É uma obra incomum por retratar o comum de maneira inteligente, sem abrir mão da sensibilidade na análise das questões inerentes as seres humanos. As lutas existenciais, tão comuns nestes tempos angustiosos, a impotência diante do inesperado, leva o leitor a desacreditar de melhores dias. “Acreditar é o que nos resta. E o livro nos traz essa certeza através da candura resiliente do Canguçu, o personagem principal. Renascer a cada dia é o caminho a trilhar. Mesmo chicoteado pela vida, Canguçu prossegue a marcha, buscando encontrar-se, pois a felicidade pode estar em outros dias aonde a sua imaginação o levaria. Na jornada, por breves instantes, como fagulhas ao vento, sentimo-nos felizes como se assim fossemos por todo o sempre. Esses peculiares momentos valem por uma vida. São bálsamos aplicados nas mataduras causadas pelas cangalhas do tempo. Porém, amargurados prosseguimos, frustrados pelas decepções. Nessa jornada existencial, é indispensável ser, lutar até vencer, na vida ou a vida, chorar e morrer”, diz o autor

Teodorico Campos de Almeida Filho é mato-grossense de Diamantino. É graduado em marketing e pós graduado em Auditoria no Setor Público e acadêmico do curso de direito na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Diamantino. A vivência e a convivência, aliado ao inato talento, o prepararam para a vida literária, tornando-o num excepcional contador de histórias. É autor dos conceituados Ruínas do Caixa Prego e Tristes Ais.

O assassinato na Casa Barão, de Marcelo Leite Ferraz

Trata-se de uma crônica ficcional – em formato de um romance – instigante e envolvente que narra uma série de acontecimentos misteriosos que vêm abalando as estruturas sociais e institucionais de Mato Grosso. Com a engenhosidade literária que lhe é peculiar, Ferraz tece uma teia secreta de mistérios que provocam uma redoma impactante de acontecimentos sucessivos na vida do protagonista da trama, levando o leitor a se envolver, de forma surpreendente, na narrativa. Para isso, o jovem escritor se utilizou de um personagem central cativante e ao mesmo tempo inquietante, que traz à tona o perfil de um jornalista com o “DNA” próprio do repórter investigativo. E desta maneira virtuosa e singular, misturando ficção com vestígios de realidade, o autor nos leva ao excitante e enigmático submundo da investigação policial e jornalística. 

Marcelo Leite Ferraz nasceu em Cuiabá. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Em 2013 foi um dos vencedores do Concurso Literário Prof. Sérgio Dalate, ofertado pela UFMT, na categoria conto e em 2017, foi contemplado pelo Prêmio Mato Grosso de Literatura por este romance: O Assassinato na Casa Barão. Além destes, o autor já escreveu outros seis livros, sendo eles uma coletânea de poesias, denominada Pássaros sem Destino (2017); uma coletânea de crônicas e artigos, com os temas correlacionados à política, economia, cultura e filosofia (2017); os respectivos romances: A Cidade dos Poetas de Sião (2009); Benjamim e Hannah (2015) e A Locomotiva dos Sonhos (2016). Além de uma monografia intitulada A Comunicação Intertextual da Cultura Judaica na Sétima Arte.

Contos do Corte, de Afonso Henrique Rodrigues Alves

O enigma que nos propõe Afonso nestes contos passa macunaimicamente pelos sucessivos cortes entre as partes do livro e a própria diversidade dos contos. “Em Afonso, tanto a memória como o conhecimento, tanto a imaginação quanto a realidade se imbricam e formam uma escrita densa e ágil que salta ou segue ao sabor da aventura literária”, diz o poeta e escritor Aclyse de Mattos Segundo o autor, Contos do Corte traz reflexões sobre a brevidade da vida, colocando ênfase em momentos cruciais. A maioria das histórias de Contos do Corte nasceu em sonhos ou depois de meditação.

Afonso Henrique Rodrigues Alvesnasceu em Rondonópolis. Cientista social pela UFMT, atualmente é estudante de Cyber-Security, no Centro Thomas Nelson, em Williamsburg, EUA. Começou a escrever aos 21 anos quando trabalhava com a crítica de arte Aline Figueiredo em seus cursos de história da arte. Vivendo entre amigos da área cultural e filosófica, lendo as obras de Kafka, Nietzsche, Ledo Ivo e Heidegger, vivia o seu tempo de muitas buscas em diferentes platôs. Começava a se apaixonar por Hatha Yoga, meditação, pela busca do silêncio interior.

As intermitências da água, de Fernando Gil Paiva Martins

Narra a história de uma cidade que passa por um fenômeno atípico de  muita chuva em excesso seguido de seca em igual escala. Diante dos extremos causados pela natureza,  a condição humana se põe à prova de muitos desafios e, acima de tudo, escolhas. Com isso, muitos terão que decidir o seu presente e, logo, também o seu futuro. O que cada um escolhe para si é um mistério que se revela a cada página, a cada gota que não cai a cada quilômetro percorrido. 

Fernando Gil Paiva Martins nasceu em Itumbiara (GO) e mora em Mato Grosso há mais de 15 anos. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso e mestre em Estudos de Cultura Contemporânea pela mesma instituição, atua como professor de idiomas e tradutor nas horas em que não está escrevendo. Começou a escrever histórias aos sete anos. Não parou desde então. Em 2010, aos 23 anos, publicou seu primeiro romance independente chamado "Sonora".

CATEGORIA INFANTOJUVENIL

Papo cabeça de criança travessa, de Maria Cristina de Aguiar Campos

Inspira-se nas coisas surpreendentes que as crianças dizem, de modo espontâneo. A autora as foi registrando num caderninho que sempre carrega consigo; e também inventou algumas situações, dando ouvidos e vazão à sua própria criança interior. As situações registradas revelam, de modo lúdico, a potência inaugural da palavra poética através de hipóteses surpreendentes que o ser humano elabora na fase de aquisição da linguagem e (re)conhecimento do mundo.

Cristina Campos é graduada em Letras (UFMT, 1983); especialista em Língua Portuguesa (UFMT, 1983), Semiótica (UFMT, 1994) e Semiótica da Cultura (UFMT, 1995); mestra em Educação (UFMT, 1998); e doutora em Educação (USP, 2007). É membro da Academia Mato-grossense de Letras, ocupando a Cadeira 16. Lecionou Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no IFMT – Campus Cuiabá; aposentou-se em 2013. É autora das seguintes obras: Pantanal Mato-grossense: o semantismo das águas profundas (Cuiabá: Entrelinhas, 2004); Conferência no Cerrado (Cuiabá: Tanta Tinta, 2008); Manoel de Barros: o demiurgo das terras encharcadas (Carlini & Caniato, 2010); O falar cuiabano (Carlini & Caniato, 2014); e Bicho-grilo (Carlini & Caniato, 2016). É organizadora e revisora de diversas publicações.

Mundo dos sonhos, o ferreiro e a cartola, de Victor Hugo Machado dos Anjos

Salvar o Mundo dos Sonhos. Essa é a missão confiada à pequena Rita. Depois de aceitar a proposta de um desconhecido, após encontrar uma cartola caída em seu quintal, Rita decide salvar um mundo onde tudo pode acontecer, somente para ter o seu irmão mais novo e sua mãe de volta em casa. Mal sabe ela quais mistérios à aguardam nessa jornada.

Os nossos sonhos. Afinal, por que sonhamos? E se algum dia deixássemos de sonhar porque esse mundo paralelo à nossa realidade estivesse sendo ameaçado? Não seria nada agradável dormir durante a noite sem poder sonhar com os nossos maiores desejos. É por isso que o Ferreiro do Mundo dos Sonhos decide recorrer à ajuda de uma menina de dez anos, chamada Rita. Até porque, existe apenas uma maneira de salvar o Mundo dos Sonhos. Basta acreditar!

Victor Angels  é o autor da série de romances para jovens adultos “Alquimistas Espirituais”,  cujo primeiro livro “O Alquimista Imortal & O Perfume da Princesa”, foi publicado em Portugal. Nascido em Cuiabá, o autor é licenciado em Artes Cênicas e graduado em Marketing. É apaixonado por fotografia, livros de ficção fantástica e cinema. “Mundo dos Sonhos – O Ferreiro e a Cartola” é sua estreia literária para o público infantil.

CATEGORIA REVELAÇÃO

Nu, de Helena Werneck dos Santos

O livro NU, da escritora adolescente Helena Werneck dos Santos, de Cuiabá, é um compêndio com 80 poesias inéditas da obra da poetisa. Apesar de ter 17 anos, Helena é uma escritora contumaz. Desde que aprendeu a ler e escrever, demonstra amor pelos livros e, justamente na adolescência, o desejo de escrever poesias aflorou. O livro é apresentado pela poetisa Lucinda Persona, um dos ícones da literatura mato-grossense,e  é de fato uma revelação no mundo literário local. Para Lucinda “as elaborações de Helena provocam, a cada trecho, um pausado espanto, pela adolescência dos tons ao lado de uma maturidade afetiva angustiada. Seria o caso de se dizer que na claridade juvenil perpassa a sombra da angústia.”

Helena Werneck dos Santos, nasceu em 4 de maio de 2000, em Cuiabá. Cursa o Ensino Médio no Instituto Federal de Mato Grosso. É vestibulanda e convive com a ansiedade e as angústias da escolha, tão presentes nos jovens de sua geração. Os poemas de Nu foram escritos em 2016, quando vivia os dilemas dos seus 16 anos.

“Minha mãe lia para mim desde criança. Isso me levou ao gosto pela literatura e poesia bem cedo. Eu sempre escrevi muito... e aí chegou um momento em que percebi que eu gostava muito mais de escrever poesia do que das outras coisas... ela traduz momentos que vivi”.

Tikare, alma de gato, de Alexandre Marcos Rolim de Moraes

Conta a história de um pequeno índio da etnia Paresi-aliti que habita o imenso Chapadão do Parecis. O indiozinho, de 14 ou 15 anos, vive momentos de aprendizado de sua própria cultura, costumes, tradições e mitos de seu povo, repassados tradicionalmente de forma oral de geração para geração.

O enredo se desenvolve em uma aldeia imaginária na cabeceira de um rio na primeira metade do século XVIII, onde reina a paz e tranquilidade entre os indígenas coletores, caçadores e pescadores. De repente, em meio a essa paz, o Reino dos Haliti é surpreendido pela chegada dos não-índios, bandeirantes que estavam em busca de riquezas minerais e mão-de-obra escrava para trabalhar nas jazidas de ouro e diamante. Tikare, o pequeno índio, se vê em meio a ocorrências que podem transformar a história de seu povo para sempre.

Alexandre Rolim é mato-grossense de Tangará da Serra. É autodidata, repórter de jornais, sites, rádio e TV desde 2004, ator e diretor de teatro.  Embrenhou-se na escrita incitado pelos livros que devorou nas bibliotecas das escolas por onde passou, influenciado por professoras de língua portuguesa e pelas experiências com a comunicação.

Como repórter do Diário da Serra, em Tangará da Serra, foi autor de diversos textos publicados nos livros ‘Memória’, produzido pelo jornal, em 2012 e 2013.

Projetos do Teatro Ogan, de Campo Novo do Parecis, e da Biblioteca Nacional o levaram para as aldeias Paresi-Haliti onde o autor teve contato com a cultura, as tradições, os costumes e os mitos do povo Paresi-Haliti. Atualmente, o autor é acadêmico  do Curso de Letras da Unemat de Tangará da Serra.

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