Boa tarde, Quarta-Feira, 24 de Abril de 2019
SANTA CASA
Famílias de internados relatam medo sobre transferências
Nesta quarta-feira (10), completou um mês que a Santa Casa anunciou que deixaria de atender por falta de recursos. Alguns pacientes, contudo, sem conseguir transferência, continuaram internados.
12/04/2019 - 07h54 - Fonte: Ana Flávia Corrêa/Gazeta Digital

 

Sentadas em cadeiras de fio, entre as paredes azuis da Santa Casa de Misericórdia, as donas de casa Lenir Maria de Barros Almeida, 40, e Driele Gonçalves da Silva Oliveira, 25, dividem suas angústias e temores pela doença dos filhos e pelo medo de deixarem de ser atendidas pela unidade filantrópica.

Elas são mães de duas das 3 crianças que atualmente seguem internadas da unidade, fechada desde 11 de março. Nesta quarta-feira (10), completou um mês que a Santa Casa anunciou que deixaria de atender por falta de recursos. Alguns pacientes, contudo, sem conseguir transferência, continuaram internados. 

Driele é mãe de uma criança de dois anos que já teve 4 tumores malignos. Lenir é mãe de uma jovem de 12 anos que tem leucemia. Desde que os dois foram diagnosticados, fizeram todo o tratamento na unidade filantrópica. Atualmente desempregadas, elas não têm condições de arcar com o tratamento pela rede particular. 

"Nós viemos para cá na quarta-feira (10). Antes ficávamos na parte oncológica, mas agora que lá está fechado ficamos temporariamente aqui na ala particular. Meu filho foi diagnosticado em junho de 2017, desde então eu fico vindo e voltando para cá para fazer quimioterapia e radioterapia", explicou Driele. 

A mãe decidiu levar a criança ao médico depois que sua barriga cresceu de maneira desproporcional. Por meio de um exame de biopsia, descobriram que era um tumor maligno no rim. A criança passou por cirurgia para retirar o câncer, que voltou logo depois, dessa vez no rosto. 

"Ele fez a retirada do tumor e ficou fazendo quimioterapia, mas aí apareceu de novo em dezembro de 2018. Ele tirou o maxilar, dois dentes com raiz e tudo. Até hoje ele tem defeito na boca. Ele não abre a boca direito, o olho ficou torto de um lado", disse. 

Foram receitadas 30 sessões de radioterapia para o menino, das quais ele já realizou uma. De acordo com o médico este é o único meio de tentar dar fim à doença. No caso de Lenir, ela decidiu que levaria sua filha ao médico depois que ela voltou do colégio se queixado de fortes dores no braço e cheia de manchas pelo corpo, em novembro de 2018. Na Policlínica do Planalto, ela foi diretamente direcionada para a Santa Casa.

"Desde então a gente ficou por aqui. Eu pedi a Deus para que a minha filha fosse atendida pelos melhores profissionais, melhores enfermeiros e melhores médicos. Ele me atendeu na hora e conseguimos uma vaga aqui. Todos nos tratam muito bem, então isso daqui não pode acabar", afirma Lenir.

Entre uma internação e outra, Lenir e Driele criaram um laço de amizade para ajudar uma a outra nos percalços da doença. Hoje, na Santa Casa, seus filhos são vizinhos de quarto, mas elas temem que a unidade feche as portas.

"Aqui dentro já não é fácil. Se a gente não se apoiar não dá conta. Hoje eu vou fazer dois anos aqui. Se eu não tivesse o apoio dela e das outras mães eu não dava conta. Do tempo que eu estou aqui já vi muito óbito, meu filho está vivo ainda, mas a gente não sabe do dia de amanhã", finalizou Driele.

Calamidade

De acordo com o diretor administrativo da Santa Casa, o capitão Daniel Pereira, atualmente a dívida da hospital é de R$ 118 milhões. A administração está em tratativa com o Ministério da Saúde para conseguir parte do dinheiro, contudo, o objetivo é reduzir a dívida para menos da metade do valor, em até R$ 50 milhões.

"Hoje, para a Santa Casa voltar a funcionar em caráter provisório, a gente precisa receber uns R$ 20 milhões. Com R$ 10 milhões pagaria metade da folha dos funcionários e a outra metade da folha dos médicos, aí ficaria R$ 10 milhões como capital de giro para gente administrar", disse o diretor.

Diretor explicou que além das 3 crianças internadas outras 20 recebem tratamento de quimioterapia na unidade. Com os recursos acabando, contudo, há um ofício para juíza da infância e adolescência para analisar uma possível transferência.

"Estamos fazendo essa quimioterapia porque eles não acharam lugar, mas não temos condições de pagar mais médicos, mais enfermeiros. Estamos resistindo dessa maneira, ainda tem um pouco de dinheiro em caixa, mas daqui a pouco acaba tudo, vai acabar até comida. Temos no máximo 15 dias aguentando ainda", lamentou Pereira.

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