Boa noite, Sexta-Feira, 27 de Abril de 2018
POLÊMICA NA CASERNA
Militares de MT se solidarizam com oficial exonerado por criticar presidente Temer
O apoio foi em resposta aos questionamentos dos colegas oficiais.
12/12/2017 - 15h38 - Fonte: RD News

Associação da Família Militar do Estado de Mato Grosso (Famil/MT), sob a presidência do major Cícero Antonio, divulgou nota em que manifesta publicamente seu apoio ao general Antonio Hamilton Mourão, exonerado do comando do Exército, onde ocupava o cargo de secretário de Economia e Finanças, por fazer críticas ao presidente da República Michel Temer (PMDB). A nota da instituição se refere ao ato de exoneração, publicado no Diário Oficial da União (DOU) na segunda (11).

Major Cícero Antonio, que é ligado ao Patriota, ostenta foto com Bolsonaro na rede social

Na última quinta (7), Mourão palestrou para um grupo de militares que apóiam a ditadura militar (1964-1985) denominado Terrorismo Nunca Mais. Na oportunidade criticou Temer e os ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff.

“Não há dúvida de que atualmente nós estamos vivendo a famosa ‘sarneyzação’. Nosso atual presidente (Temer) vai aos trancos e barrancos buscando se equilibrar, e, mediante o balcão de negócios, chegar ao final de seu mandato”, disse Mourão na palestra.

 Mourão também declarou apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à presidência da República. O apoio foi em resposta aos questionamentos dos colegas oficiais. 

“O deputado Bolsonaro já é um homem testado, é um político com 30 anos de estrada, conhece a política. E é um homem que não tem telhado de vidro, não esteve metido aí nessas falcatruas e confusões. Agora, é uma realidade, já conversamos a esse respeito, ele tem uma posição muito boa nessas primeiras pesquisas que estão sendo feitas, ele terá que se cercar de uma equipe competente, ele terá que atacar esses problemas todos, não pode fazer as coisas de orelhada, e obviamente, nós seus companheiros dentro das Forças olharmos com muito bons olhos a candidatura”, declarou.

Arquivo

 O major Cícero Antonio, afirma que a remoção do general foi uma resposta do Governo Temer às manifestações contra a corrupção. “A família militar dedica a atenção necessária às reações de comunistas e corruptos a cada manifestação do general Mourão”, diz a nota oficial.

Além disso, os militares de Mato Grosso respaldam as declarações de Mourão. “Têm expressado de forma fiel o sentimento e a convicção da Família Militar em relação à situação política pela qual, infelizmente, passa nosso amado Brasil”, completa a manifestação pública.

Cícero Antonio é ligado ao partido Patriota, que deve receber Bolsonaro em março de 2018 para viabilizar a candidatura à presidência da República. Nas redes socias, o major ostenta foto com Bolsonaro durante visita do presidenciável a Mato Grosso. 

Em setembro, Mourão ganhou notoriedade ao criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e defender a intervenção militar “se a Justiça não agir contra a corrupção”. O general fez a declaração durante palestra em loja maçônica de Brasília.

Já em outubro de 2015, Mourão já havia protagonizado outro episódio polêmico, ao criticar o governo e a então presidente. Na ocasião, perdeu o Comando Militar do Sul e foi transferido para a Secretaria de Economia e Finanças, um cargo burocrático.

“O deputado Bolsonaro já é um homem testado, é um político com 30 anos de estrada, conhece a política, diz Mourão”

Pelo Regulamento Disciplinar do Exército, Mourão poderia ser punido por dar declarações de cunho político, sem autorização de seu superior hierárquico. No entanto, o comandante geral do Exército, general Eduardo Villas Bôas, optou por não puni-lo.

Ainda em 2015, Mourão permitiu homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, em São Paulo, um dos principais centros de repressão da ditadura militar, acusado de comandar sessões de tortura contra diversos prisioneiros políticos.A própria ex-presidente Dilma foi presa e torturada em um quartel chefiado por Ustra. O evento foi realizado no pátio da 6ª Brigada de Infantaria Blindada em Santa Maria, e teria sido organizado por subordinados do oficial.

A defesa da intervenção militar por Mourão repercutiu no comando do Exército em Mato Grosso. O comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Fernando Herzer, declarou que a idéia não tem eco ente os oficiais. Disse ainda que as Forças Armadas atuam somente dentro da legalidade e jamais serão força de instabilidade dentro do Brasil. 

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