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Justiça manda Polícia Civil apresentar provas contra missionária suspeita de ligação com organização criminosa em MT

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O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que a Polícia Civil de Mato Grosso apresente informações sobre as provas digitais utilizadas na Operação Fariseus, que investiga uma família suspeita de utilizar atividades religiosas para prestar apoio a integrantes de uma organização criminosa. A decisão foi publicada nesta terça-feira (20) e envolve, entre os investigados, a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, de 24 anos, presa durante a operação realizada em julho deste ano.

A investigação aponta suspeitas de que integrantes da mesma família utilizavam uma estrutura religiosa para oferecer suporte financeiro, logístico e de comunicação a membros de uma organização criminosa com atuação em Mato Grosso.

No despacho, o magistrado estabeleceu prazo de cinco dias para que a Polícia Civil esclareça quais mídias e arquivos digitais utilizados nos relatórios de investigação já foram anexados ao processo.

Também determinou a disponibilização integral dos dados extraídos de celulares e contas virtuais dos investigados, estabelecendo prazo de dez dias para o cumprimento da medida.

A decisão ocorreu após a defesa de Renildo Silva Rios solicitar acesso ao material original utilizado para fundamentar as acusações.

Segundo os advogados, embora o processo contenha relatórios policiais, trechos de conversas e arquivos isolados, o conjunto completo das provas digitais ainda não teria sido disponibilizado.

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O juiz destacou que é necessário identificar quais documentos já estão no processo e quais permanecem sob responsabilidade dos investigadores antes de decidir sobre a entrega das cópias à defesa.

Missionária ganhou repercussão após aparecer com fuzil dourado

Rhavenna ganhou notoriedade após a divulgação de imagens em que aparece segurando um fuzil dourado, além de registros de sua atuação religiosa dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

Em um vídeo publicado nas redes sociais em 2023, a missionária aparece cantando hinos religiosos para detentos, utilizando microfone e caixa de som durante uma visita à unidade prisional.

Conforme as investigações, mulheres ligadas ao projeto religioso teriam realizado viagens ao Rio de Janeiro, frequentado regiões controladas por integrantes de uma organização criminosa e mantido relacionamentos pessoais com membros do grupo.

A Polícia Civil também identificou indícios de que despesas dessas viagens teriam sido custeadas por criminosos.

Entre os elementos investigados está o suposto pagamento de uma cirurgia plástica da missionária por uma liderança da organização criminosa.

Rhavenna também é apontada nas investigações como uma das mulheres que mantinham relacionamento com Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”, considerado foragido desde 2024, após romper uma tornozeleira eletrônica.

Segundo a Polícia Civil, integrantes da família também teriam intermediado contatos com detentos e mantido comunicação com presos por telefone.

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Em uma das situações investigadas, uma mulher teria solicitado uma punição contra um homem acusado de furto, utilizando expressões associadas ao crime organizado.

Justiça encerra responsabilização criminal de pastor que morreu

Na mesma decisão, o magistrado declarou extinta a punibilidade de Nivaldo de Almeida, pai da missionária, que morreu em setembro deste ano após enfrentar um câncer.

O pastor havia sido alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Fariseus, mas não chegou a ser preso.

Com a confirmação do falecimento, o juiz aplicou o artigo 107, inciso I, do Código Penal, que determina a extinção da punibilidade em caso de morte do investigado.

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), já havia deixado de apresentar denúncia contra Nivaldo em razão do falecimento.

O magistrado também autorizou os advogados dos réus a consultar documentos anteriormente mantidos sob sigilo e determinou a retomada de diligências para citação de Rhavenna e Rhuan Barcelos da Conceição.

A decisão não representa absolvição dos investigados nem reconhecimento de irregularidades na operação. A Justiça busca garantir o acesso das defesas aos elementos utilizados na acusação, enquanto o processo segue em andamento.

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