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Justiça nega pedido de assassino confesso de advogado e mantém condenação de mais de 21 anos em MT

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Defesa alegou possível insanidade mental e pediu anulação do julgamento; magistrado não encontrou elementos suficientes para conceder liminar.

A Justiça de Mato Grosso negou um pedido de liminar apresentado pela defesa de Antonio Gomes da Silva, condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá.

A decisão foi proferida pelo juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, da Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que rejeitou, nesta fase, a solicitação de realização de exame psiquiátrico e de suspensão do cumprimento da pena.

Antonio foi condenado pelo Tribunal do Júri, realizado entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro deste ano, por homicídio qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso proibido.

Defesa alega insanidade mental e pede novo julgamento

No habeas corpus, os advogados de Antonio questionaram a decisão do juiz José Mauro Nagib Jorge, responsável por presidir o Tribunal do Júri, que havia negado a instauração de um incidente de insanidade mental durante o julgamento.

Segundo a defesa, a avaliação das condições psicológicas do acusado deveria ter sido realizada por meio de perícia médica especializada.

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Os advogados também argumentaram que houve cerceamento de defesa, pois os jurados não foram questionados sobre a possibilidade de semi-imputabilidade, condição relacionada à redução da capacidade de compreender a ilegalidade de uma conduta ou de agir conforme esse entendimento.

Com isso, solicitaram a anulação do julgamento e a realização de uma nova sessão do Tribunal do Júri.

Juiz aponta ausência de indícios concretos

Ao analisar o pedido, o magistrado destacou que a realização de exame de insanidade mental não é obrigatória apenas porque foi solicitada pela defesa.

Segundo a decisão, é necessária a existência de elementos concretos que levantem dúvidas razoáveis sobre a saúde mental do acusado.

O juiz ressaltou que, durante o processo e o interrogatório, Antonio apresentou comportamento considerado coerente, respondeu às perguntas de maneira organizada e demonstrou compreender os fatos discutidos.

Outro ponto observado foi que o processo tramitou por mais de dois anos e meio sem que a defesa tivesse apresentado anteriormente questionamentos sobre a capacidade mental do réu.

O magistrado também considerou que a alegação de ausência de quesito sobre semi-imputabilidade exige análise aprofundada dos registros e das provas do julgamento, o que deverá ocorrer na apreciação definitiva do habeas corpus.

Assassino confessou crime durante julgamento

Roberto Zampieri foi assassinado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

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Durante o julgamento, Antonio confessou ter efetuado os disparos que mataram o advogado e chegou a declarar que cometeria novamente o crime caso estivesse diante da mesma situação.

O condenado afirmou que teria agido por vontade própria, alegando suspeitas de envolvimento da vítima em um suposto esquema de venda de sentenças. A versão foi contestada pelo Ministério Público.

Além de Antonio, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como financiador do assassinato, também recebeu pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão.

Já Hedilerson Fialho Martins Barbosa, condenado por fornecer a arma utilizada no crime e atuar como intermediário, recebeu pena de 25 anos de reclusão.

Condenação permanece em vigor

Ao negar a liminar, o magistrado destacou o entendimento jurídico que permite o cumprimento imediato da pena após condenação pelo Tribunal do Júri.

Com a decisão, Antonio permanece sujeito ao cumprimento da condenação de 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, enquanto o pedido de habeas corpus ainda aguarda julgamento definitivo.

O juiz determinou que a 11ª Vara Criminal de Cuiabá apresente informações no prazo de cinco dias. Posteriormente, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça antes de retornar para nova análise no Tribunal de Justiça.

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