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STJ mantém prisão de ex-vereador de MT que teria usado identidade falsa por 15 anos e é suspeito de homicídios

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Ministro apontou risco à investigação e à ordem pública. Ex-parlamentar é investigado por crimes contra a vida, suspeita de furto de 45 cabeças de gado e tentativa de subornar testemunhas.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Rogério Schietti, manteve a prisão preventiva do ex-vereador de Nova Nazaré, Valdoir Bento Tavares, de 786 quilômetros de Cuiabá. Conhecido pelo nome falso de Marco Túlio, que teria utilizado por mais de 15 anos, ele é suspeito de envolvimento em homicídios, tentativas de assassinato e crimes patrimoniais. A decisão foi publicada nesta terça-feira (3).

Valdoir está foragido e, segundo a investigação, responde a pelo menos oito processos criminais. Entre as acusações estão suspeitas de participação em dois homicídios consumados e cinco tentativas de homicídio, além de crimes relacionados à posse e comercialização ilegal de armas, receptação, falsidade ideológica e uso de documentos falsos.

Ao analisar o pedido da defesa, Schietti considerou que a liberdade do investigado representa risco à ordem pública, à produção de provas e à aplicação da lei penal. O ministro também levou em conta relatos de que o ex-parlamentar teria tentado subornar testemunhas para impedir que informações sobre sua participação em crimes fossem reveladas.

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Usou identidade falsa e chegou à presidência da Câmara

Um dos pontos destacados na decisão é que Valdoir teria conseguido permanecer por mais de 15 anos utilizando a identidade de um parente já falecido. Mesmo nessa condição, foi eleito vereador de Nova Nazaré por duas legislaturas e chegou a ocupar a presidência da Câmara Municipal.

Para o ministro, a trajetória demonstra a capacidade do investigado de evitar a atuação da Justiça. Schietti também ressaltou que ele continua foragido, apesar de ser procurado por crimes contra a vida.

A Justiça ainda considerou insuficientes medidas alternativas à prisão, como monitoramento eletrônico e outras restrições, diante do histórico atribuído ao ex-vereador e do risco de novos delitos.

Suspeita de furto de 45 cabeças de gado

Outro episódio considerado na decisão envolve o furto de aproximadamente 45 cabeças de gado de uma propriedade rural. Conforme a investigação da Polícia Civil, Valdoir teria planejado a ação com a ajuda de Júnior Ribeiro da Silva, conhecido como “Vaguinho”, que trabalhava como empreiteiro na Fazenda Sol Vermelho e tinha acesso à rotina da propriedade.

Após o furto, os animais teriam sido vendidos a terceiros com o uso de identidade falsa e documentos fraudulentos. A negociação teria movimentado R$ 108,5 mil, valor transferido por PIX diretamente para uma conta bancária de Valdoir.

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Um corretor de gado relatou à polícia que o ex-vereador, conhecido como “Preto”, teria participado diretamente da oferta dos animais para comercialização. A investigação também aponta que ele teria sido responsável pela emissão de uma das guias de trânsito animal utilizadas no transporte de parte do rebanho.

Defesa tentou revogar prisão

A defesa pediu a revogação da prisão preventiva, argumentando que não existiriam fundamentos concretos e atuais para manter a medida. Os advogados também solicitaram a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.

O ministro rejeitou o pedido e afirmou que a gravidade concreta das condutas investigadas, a possível reiteração criminosa e as tentativas de interferência na produção de provas justificam a manutenção da prisão.

A decisão reforça que, diante das circunstâncias apresentadas no processo, medidas mais brandas não seriam suficientes para garantir a segurança da investigação e evitar a prática de novos crimes.

Valdoir permanece foragido. As acusações e suspeitas mencionadas seguem sujeitas à apuração e ao julgamento pela Justiça.

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