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Major preso com Mounjaro do Paraguai estava em carro de investigado por lavagem de dinheiro para facção

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O major da Polícia Militar Pedro Henrique Silva Garcia, preso em flagrante com medicamentos contrabandeados do Paraguai, estava acompanhado de um homem investigado por supostamente lavar dinheiro para o Comando Vermelho. O grupo foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na manhã de terça-feira (3), na BR-364, em Cuiabá.

O motorista do veículo era Mário Henrique Tavito da Silva, denunciado na Operação Apito Final, que apurou um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa e teve como principal alvo Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT.

Além de Mário e do major, também estava no automóvel Felipe Alifer Leocádio da Rosa. Conforme a decisão da Justiça Federal, os três retornavam do Paraguai quando foram abordados por volta das 6h45, no km 387 da rodovia.

Movimentações financeiras sob investigação

Documentos anexados ao processo apontam que Mário é suspeito de utilizar três empresas sem funcionários cadastrados para movimentar recursos em benefício da organização criminosa.

Um relatório técnico citado na investigação identificou R$ 241.083,64 em créditos e débitos envolvendo Mário e outros investigados, entre 2020 e 2022. Entre as transações aparece um crédito de R$ 5.000,10 associado a Fagner Farias Paelo, irmão de WT.

Segundo a investigação, Fagner seria uma pessoa de confiança do apontado líder criminoso e também teria participação na ocultação de patrimônio do grupo.

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O que os ocupantes disseram à polícia

Durante a abordagem, os três ocupantes afirmaram que haviam ido ao Paraguai para comprar perfumes e medicamentos para uso pessoal. No entanto, os policiais encontraram medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de outros produtos estrangeiros.

Inicialmente, Felipe declarou que toda a mercadoria era dele e que Mário e o major apenas o acompanhavam. Já na Polícia Federal, mudou a versão e afirmou que cada um dos ocupantes havia realizado suas próprias compras. Questionado sobre as canetas emagrecedoras apreendidas, disse que não as havia trazido.

Mário e o major optaram por permanecer em silêncio durante os interrogatórios.

Justiça concede liberdade mediante fiança

A Justiça Federal concedeu liberdade provisória aos três envolvidos, mediante pagamento de fiança individual de R$ 5 mil. Caso o major não efetuasse o pagamento imediatamente, deveria permanecer sob custódia no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) até o recolhimento do valor.

Como Mário já era submetido a medidas cautelares no processo da Operação Apito Final, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que a 7ª Vara Criminal de Cuiabá fosse informada sobre a nova prisão. O juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré determinou a comunicação à Justiça estadual.

Operação apura esquema de R$ 65 milhões

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A Operação Apito Final investigou uma estrutura de lavagem de dinheiro que, segundo a Polícia Civil, movimentou aproximadamente R$ 65 milhões. WT é apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela estrutura financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso, com atuação no tráfico de drogas e na ocultação de patrimônio.

De acordo com a apuração, imóveis de alto padrão, veículos de luxo e empresas registradas em nome de terceiros teriam sido utilizados para disfarçar a origem dos recursos.

Um dos estabelecimentos investigados foi o Supermercado Alice, no bairro Figueirinha, em Várzea Grande. A Polícia Civil suspeita que o comércio tenha sido utilizado para movimentar e lavar cerca de R$ 17 milhões em dois anos. A empresa tinha como sócia-administradora Maria Aparecida Coluna Almeida, sogra de WT. Em 2021, Fagner Farias Paelo assumiu a administração e, posteriormente, comprou o estabelecimento.

Recentemente, a Justiça recebeu denúncia do Ministério Público de Mato Grosso contra WT e outras nove pessoas, entre elas a esposa dele, Thawany Nunes Silva de Bulhões. Os denunciados passaram a responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A investigação também aponta que o time de futebol amador Amigos WT teria sido utilizado para encobrir atividades financeiras do grupo. O processo segue em andamento na Justiça.

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