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Deputados cobram mudanças duras na concessão da Energisa e alertam ministro sobre riscos ao consumidor em MT; Veja vídeo

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Relatório entregue em Brasília expõe falhas estruturais, críticas ao atendimento e impõe debate sobre o futuro do sistema elétrico no estado

Os deputados estaduais Wilson Santos (PSD) e Eduardo Botelho (União) elevaram o tom contra a Energisa ao entregar, na última sexta-feira (9), ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), um diagnóstico detalhado sobre a atuação da concessionária em Mato Grosso. O documento foi apresentado no contexto da possível renovação antecipada do contrato de concessão do sistema elétrico no estado e reúne uma série de críticas que vão desde problemas técnicos até falhas graves no atendimento ao consumidor.

Segundo Eduardo Botelho, o relatório é resultado de diversas audiências públicas realizadas em diferentes regiões do estado, como Tangará da Serra, Baixada Cuiabana, Rondonópolis, Norte de Mato Grosso e outras localidades. O parlamentar afirma que a população foi ouvida antes de qualquer debate sobre renovação contratual, algo que, segundo ele, deveria ter sido feito previamente pelo governo federal e pela própria concessionária.

 

 

Entre os principais pontos levantados está a manutenção de extensas redes monofásicas, consideradas obsoletas diante do atual perfil de consumo. Botelho explicou que grande parte dessas redes foi implantada décadas atrás, quando o uso de energia era limitado. Hoje, com a ampliação do consumo residencial, a estrutura não suporta a demanda. Para os deputados, a migração para redes trifásicas precisa ser uma exigência central em qualquer novo contrato.

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Outro foco de críticas recai sobre o atendimento aos consumidores. Parlamentares relatam demora excessiva para restabelecimento da energia em casos de interrupção, dificuldade de contato com a concessionária e baixa resolutividade das demandas. “O atendimento é muito ruim, e quem paga essa conta é o consumidor mato-grossense”, afirmou Botelho durante coletiva realizada nesta segunda-feira (12), na Assembleia Legislativa.

A atuação administrativa da Energisa também foi duramente questionada. De acordo com Botelho, a empresa teria promovido demissões em massa de trabalhadores locais, substituindo-os por mão de obra terceirizada de outros estados, o que, na avaliação dele, desvaloriza o mercado de trabalho mato-grossense. Além disso, a centralização da gestão fora do estado teria enfraquecido a presença técnica e decisória da concessionária em Mato Grosso.

 

Wilson Santos reforçou que os parlamentares não se posicionam contra a iniciativa privada, mas defendem responsabilidade social, transparência e participação popular no processo. “Estamos falando de uma concessão pública, de um patrimônio do estado. A renovação não pode ocorrer sem critérios claros e sem ouvir a população”, declarou.

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O ministro Alexandre Silveira informou aos deputados que a decisão sobre a renovação não será imediata. Segundo ele, o diagnóstico será analisado pela equipe técnica do Ministério de Minas e Energia antes de qualquer definição. Botelho, no entanto, avalia que a renovação já estaria praticamente decidida, restando agora a inclusão de cláusulas mais rígidas no contrato.

Entre as exigências defendidas pelos parlamentares estão investimentos robustos na rede de distribuição, redução do tempo de resposta a falhas no fornecimento, valorização e contratação direta de trabalhadores técnicos e maior respeito ao consumidor. “Mato Grosso tem uma das energias mais caras do país. Não dá para continuar com um serviço que gera lucro bilionário e entrega insatisfação”, afirmou Botelho.

Os deputados também não descartam a possibilidade de uma nova licitação, caso as demandas do estado não sejam incorporadas. Para eles, a renovação antecipada só se justifica se vier acompanhada de mudanças estruturais que garantam eficiência, qualidade e justiça ao consumidor mato-grossense.

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